Este blog é uma continuidade do blog Poiesis Rosidelma Fraga rosidelmapoeta.blogspot.com (2014). Algumas publicações serão postadas nesta página. Os livros Poiesis em verso e prosa e Cantares de amor podem ser encontrados no site da livraria cultura e Amazon. A obra AmorAmante e O mundo fantástico da menina Angelmam podem ser adquiridos com a autora. AFRICANUA pode ser baixado em https://www.pimentacultural.com/wp-content/uploads/2024/12/eBook_africanua-poemas.pdf
segunda-feira, 10 de junho de 2019
DESEJOS
Apareço de costas em meu verso
como quem tira o roupão atrás da porta.
Excito a voz rouca do poema
fecho o botão da camisa
e saio desnuda frente ao espelho.
Rasgo o véu da palavra incerteza
E certamente banho na fonte
das metáforas de ser e de amar.
Toda nua, toda rouca, toda cheirosa
a poesia sai de mim pé por pé
e se entrega na cama do desejo lírico.
Depois de ser amassada e sugada
a poesia sai de madrugada
e lê um convite caído ao chão:
VAI TER UM BAILE NO CÉU
ONDE DEUS TODO NU VIRARÁ CANÇÃO
A poesia entrará de pernas abertas
pela porta da frente e com seios fartos.
Eis que os anjos calar-se-ão.
E eu chego descalça
Viro Afrodite com saia de Eros
E sambarei por toda a minha vida.
(Rosidelma Fraga, da obra "Cantares de Amor", 2014).
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
POEMOLHADO
Tentei segurar o ritmo das horas
que o tempo excitado não perdoa
para compor um verso cor de amora.
Não sei se era imaginação de poeta,
ou encarnação de caboclo roxo no rio.
Vi a poesia se despindo de teus olhos
E quis rasgar a pele de preto no cio.
Guardei o instante da eternidade...
porque eterna é a celebração
de teu sangue desvelado,
de teu beijo poemolhado,
de minhas mãos tímidas,
apáticas, inexatas,
surdas e suadas.
Já não pude esconder a poesia
embaixo do tapete do carro
e tirar a calcinha das rimas
no quarto das bacantes de um motel.
Trouxe da rua a covardia de ser poeta.
Escondi o ciúme de rasgar a tua cor
e ser a menina nua que te dança e namora.
O amor já não pode seguir o relógio
porque o tempo é efêmero e traiçoeiro.
Tenho em mim o triunfo de filtrar
sonhos...
Guardarei o instante e serei Penélope nua
a costurar a colcha de cetim vermelho
a segurar um minuto parado da poesia.
Certamente desnudarei o efêmero da rua
morta,
a velocidade dos carros, o riso do
caboclo,
o receio da mulher em chamas, tua boca
de amora,
e dois negros cabelos virando poema
que voa.
Em instante metafísico meu sangue
quisera ser Afrodite e Jacira
para misturar tua pele de índio
ao meu destino de cigana vagabunda.
No entanto, pressinto que a poesia
casta
ainda que em hora marcada e estática
deixará cair o manto vermelho
do amor dos deuses a molhar teu sêmen.
Teu sangue guerreiro ainda fechará o
tempo
e meu poema regressará ao lirismo de
teu corpo.
Conhecerás que o amor singular e
cravado
permanece além dos sexos e da nudez
dos índios,
é muito mais que o teu corpo sagrado em
mim.
(Rosidelma Fraga).
domingo, 20 de janeiro de 2019
EPÍGRAFE AMOROSA
Epigrafei tuas iniciais
em meu corpo de maresia.
Tatuei nossas almas
no verso da cor da poesia.
O poema saiu sem defeito,
igual a nuvem vestida de Deus.
(Rosidelma Fraga. In: Amor Amante, 2018, p.68).
COROAI-ME!
Coroai-me de verdades absolutas
Não me tinjas um poema
de brandura
Meu corpo já não cabe o
fingimento
de uma sensibilidade
líquida e medida.
Corai-me de ausências
que tanto canto
Coroai-me da canção de
Mozart em silêncio
Coroai-me daquilo que não seja efêmero.
Coroai-me do cândido
sorriso
da menina que vestiu a
fome
e bebeu os pedaços do
abandono.
Corai-me de rosas de
todos os amantes
Coroai-me do amor de
todos os gêneros
Coroai-me do AMOR e do
AMOR somente.
Coroai-me da pele negra
excluída
Coroai-me do amor
divino
mas não me venha com
religiões!
Não ando mais com um
Deus maléfico
O Deus em mim é a chama
do amor
que o vento não leva e
o tempo não consome.
E se o amor de Deus é
humano e sangra
Coroai-me então do riso
largo da prostituta
que perdeu a calcinha
do pecado na esquina,
sem pudor, preta ou
branca, sem religião,
mas com o sentir de
gente, com Amor e Perdão...
Coroai-me “do
azul-perdão no olho do mendigo”
Porque já não quero um
sentimento de mundo
que minhas entranhas
não mais darão as mãos.
(Rosidelma Fraga. In: AmorAmante (2018).).
AFROFILIA
Benzi o
amor
de
arrudeira.
Saiu
trevo
de
poemas,
suor de
preto
e
atabaque.
Meu
terreiro
virou poesia.(Rosidelma Fraga. In: Nudez de pretos).
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