AFRICANUA E OUTROS POEMAS AFROS

AFRICANUA E OUTROS POEMAS AFROS
Livro digital gratuito publicado pela Editora Pimenta Cultural

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

CATIVOS


Entre mimos

molhados

e babados,

tu vens, retinto

adoçar rimas.

Em noites afros

tu vens tocar-me

feito menina.

 

Entre rimas

e mimos

saio para afagar

o teu corpo-poema.

 

Vestida de algemas

solto tuas correntes

para sermos cativos

um no outro e do outro

em gritos sem dor.


(Rosidelma Fraga).

 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

ORFEU NEGRO

 

Meu Orfeu tece em mim

os sabores da eternidade.

Meu Orfeu veste em mim

o tecido de seu corpo suado

e em meu corpo faz morada.

 

Meu Orfeu é o retrato

do corpo que samba,

da canção que sangra,

de Lilith que dança,

de Madalena que ama

e do gozo em chamas.

 

Meu Orfeu vibra todo afro

e nosso gozo se faz cascatas.

Meu Orfeu degusta em mim

o gozo de amantes metáforas

e geme de amor e vozes caladas.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

POEMA NASCENTE

 Um poema não se pede

Um poema não se espera.


Como arte do além,

o  poema é uma nascente,

brota e jorra versos!

Um poema ergue-se sem razão 

Como as cem razões de afeto.


Porque um poema é doação...

É poesia de rima e sertão .


Um poema faz da sina a poesia

Para abraçar o tempo infinito

E louvar-te meu amigo, pelo teu dia!


(Para meu amigo Sérgio Lopes

Por Rosidelma Fraga). 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

COMO SE FOSSE SOL


Venha ver meu sol

em dia de branco

em noites de encanto.

Tocarei teu cheiro

E desnudarei teu pranto.

 

Faça-me tranças

em castelos de êxtase.

Dançarei em teu corpo

como se fosse amor

como se fosse flor.

 

Segure meu corpo

como se fossem cordas

em  tom suave de sol.

Guardarei tuas cores

como se amanhã fosse hoje

em som de eternidade.



Por Rosidelma Fraga.

 

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

DUETO DE PRETO



Tem cheiro de preto

meu verso de Amor.


Tem toque tição 

meu poema-segredo.


Tem riso de preta

minha rima de festa.


Tem boca sedenta

minha alma ausente.


Tem pele dourada

meu livro rasgado.


Tem gosto de amora

teu corpo de agora.


E de teus beijos afros e molhados

Cubro-me da poesia enamorada. 


(Rosidelma Fraga, 2022).


domingo, 14 de novembro de 2021

NEGRA, AVANTE!

 

 Negra, eu ouvi teu gemido.

Teu gemido em mim é poesia.

Eu ouvi as chamas de teu pranto

e meu verso do porão virou grito.

 

Por isso invoquei a águia do oceano

para adormecer a fúria dos homens.

 

Em rimas venho dizer-te, negra:

enegreça a fúria do homem branco

com o cintilante de tua negra cor.

Seja como for, seja FLOR

Floresça, negra!

Não se curve, nunca!

Banhe os olhos turvos

do excludente e indiferente.

 

Não pare, negra!

Siga adiante!

Marche!

Não recue! Enalteça-te!

 

E digo mais,

preta cor de amora,

sorria pelo rio afora!

Diga que não és mito

Diga

Repita

Reprise

E grite: AVANTE!

 Avante com seu canto

pois maior que a dor será teu riso

o riso da mulher negra

é o véu do infinito.

EURÍDICE

 


No sangue de minha avó

corre minha história.

Por isso me dispo

Por isso grito

Por isso vibro

Por isso poetizo.

Avó preta

de pés ligeiros,

sacudiu a poeira

bateu barro

socou pilão

e fez meu chão.

Vem, negra flor,

bate esse tambor!

Vem, amora pretinha,

a noite já vai caindo

e tu estás aí, linda

sorrindo feito Rainha!

 

Rodopia, negra!

Cante, encante,

e sambe a vida, Eurídice,

que  áfrica resiste,

a áfrica somos nós,

noite e dia.



domingo, 21 de março de 2021

CURA-ME!

Cura-me!

Cura-me com a ansiedade de teus afagos!

Curo-te com o desmedido beijo de minha calma.

Cura-me ao som de Jesus, alegria dos homens!

E depois de ser várias pétalas nuas em sonhos,

seremos um só corpo, um só poema liberto...

Afinal, o que eu vi em ti?

Vi a minha sede saciada no copo sem fundo

Vi que nas noites insones me tocavas sem rumo 

Vi que teu corpo, teu sangue e teu ar são meus

E teus serão todos meus dias na fonte de amar.

Porque o que eu vi em ti é mais que:

os afagos, mais que a sede de beijo, 

mais que a volúpia, mais que tudo, 

mais que a certeza diante da minha cura.


Rosidelma Fraga.


(P.S.1-Poema pela metade).



domingo, 28 de fevereiro de 2021

EROS E PSIQUÊ

Desdobro o lenço vermelho de metáforas.
Nele, vejo-te em sonhos de Eros e Psiquê...

Eros é a chama sensual que me despe
é  a nota afinada para todas as balladas.


Porém, a poesia fechou o véu do silêncio
porque já não sou Vênus e nem Afrodite,
nem Beatriz, nem a deusa de Petrarca!


Mas tu, meu Amor, és  redenção de versos!
Tu és o paraíso invisível e nostálgico
és o cântico e o mito de Pasárgada
de onde a deusa Afrodite em mim
vem enfeitar e enfeitiçar os cabelos,
para despir os desejos e saciar o poema!


És muito mais que Eros!
És a chave dos mistérios
para acender os incensos
e derramar o amor supérfluo!


Pois o Amor de Eros já não pode ser  incerto.

O Amor não pode ser a frente sem o verso
O Amor é as duas metades que se beijam
e se afinam em notas da mesma canção.

(Rosidelma Fraga-01/03/2021).

Poema escrito em ocasião de uma aula sobre Amor e erotismo/ dupla chama, lendo Octavio  Paz.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

ALINHAVOS

 Jamais escreverei versos naufragados

de um lirismo mecânico e vestido de solidão.


O poema que ora teço vai despindo alinhavos

e nas costuras das cicatrizes o Amor é nudez.


Minha nudez desabrocha como muitas rosas...

Meu amado caminha entre espinhos há horas!


E no cais de horas que parecem intermináveis,

alinhavo palavras doces de metáforas,

banho a pele de Madalena com unguentos,

e o poema vai abrindo as delicadas pernas.


Ora, não demores, meu amado!

Meu corpo e minha alma de poeta,

já te esperavam de outras noites.


E não te esqueças sequer por um segundo

que em mim tu esquecerás a solidão de mundo.

Em mim tu terás o abrigo do Amor sem medida,

terás todas as mulheres nuas em forma de FLOR.


sábado, 19 de dezembro de 2020

SONATA DE BACH


Fabuloso Poeta,

não escrevo versos secretos

não tenho rimas de sextilhas

nem mesmo dedilho o infinito.

 

Mas de tuas Partículas

desnudo aves de arribação

e busco em tuas rimas a tua canção:

“Este gigante roraimense

Que já é um vencedor

Por se fazer companheiro

Que dessa causa faz frente

Como um novo guerreiro”.

 

E se acaso as minhas mãos

fecharem o botão das palavras

ou se porventura ao piano

eu tocar a Sonata de Bach,

saltarei da Jerusalém da poesia

saudar-te-ei com um Deus Nordestino

E pintarei o cordel sagrado em teu destino.

 

(Rosidelma Fraga, ao poeta Lindomar Bach).

Sarau do Amigo Secreto  - Festa do Poema Secreto, pelo Youtube- 19/12/2020.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

BALLADE AND POETRY


Teus dedos dançavam
às teclas nuas do piano.
A epifania que move poetas
soava as palavras surdas,
inexatas, sem pautas e rimas.

É assim do instante metafísico
que a poesia se despe ao lirismo.

Ballade pour Adeline, eis a canção
dos versos que adornastes em mim.
Rosidelma Fraga.  (Poema escrito na ocasião de um recital em Goiás)

sexta-feira, 17 de julho de 2020

CORPO & VOZ



Teus olhos molhados gemem
pela voz ofegante do poema.

A menina de teus olhos suplica
de joelhos por um corpo de palavras.

Eis que minhas mãos ofegantes
e semelhantes ao desejo de maresia
teceram a colcha para tua nudez.

“O céu rasgou seu manto em duas partes”.
Despimos o cheiro da metáfora do amor
Que ainda é fogo que arde sem se vê.

A poesia perdeu a voz em teu grito
E o poema abriu o botão de meu vestido.

Nenhuma palavra quis sair da alcova
No instante que teu olhar deixou cair
O roupão desnudo de tuas súplicas.

Naquele instante ímpar e metafísico
a poesia que já andava nua comigo
abriu a peça incomensurável de teu corpo.

(Rosidelma Fraga, 2014).