Venha ver meu sol
com lábios de fome
Metade homem
Metade menino.
Vem bailar comigo
Enlaçar meu corpo
Me vestir teus fetiches.
Vem beijar com vinho-tinto
Se fazer de esquecido
Até o amor perder o juízo.
Este blog é uma continuidade do blog Poiesis Rosidelma Fraga rosidelmapoeta.blogspot.com (2014). Algumas publicações serão postadas nesta página. Os livros Poiesis em verso e prosa e Cantares de amor podem ser encontrados no site da livraria cultura e Amazon. A obra AmorAmante e O mundo fantástico da menina Angelmam podem ser adquiridos com a autora. AFRICANUA pode ser baixado em https://www.pimentacultural.com/wp-content/uploads/2024/12/eBook_africanua-poemas.pdf
Venha ver meu sol
com lábios de fome
Metade homem
Metade menino.
Vem bailar comigo
Enlaçar meu corpo
Me vestir teus fetiches.
Vem beijar com vinho-tinto
Se fazer de esquecido
Até o amor perder o juízo.
Fica decretado na Lei 13 mil do Universo, os artigos, a saber:
Art 1. O amor de Deus acolherá pretos, pardos, indígenas, órfãos e Madalenas.
Art. 2. Não haverá poema que fale de ódio, misoginia, homofobia, gordofobia, transfobia, etc, etc, etc...
Art. 3. Não haverá céu diferente para pessoas diferentes porque lá não haverá governo nefasto.
Art. 4. Não haverá separação entre periferia e centro. Todos fartarão do mesmo milagre do pão.
Art.5 . Fica decretado ainda que as pessoas especiais e as crianças ensinarão aos homens que o amor virará poesia e não se amará pela distinção de raça, etnia , cor, gênero ou religião.
Art. 6. Para fins de direto, será extinto do universo todo aquele que não jurar amor, amor e AMOR.
(Rosidelma FRAGA).
PARTILHA
Não se partilha afeto em retalhos
porque meros afetos são detalhes,
pontas falhas, linhas tortas e torpes.
O amor é uma cena de gozos
sorrisos, toques e delírios a rasgar
o corpo molhado e suado da poesia.
O corpo intenso de Madalena
já não pode ser o amor sagrado.
Sagrado é o que fica depois
que Madalena rasga seu véu,
deixa a camisola vermelha
nos prostíbulos da poesia.
Afinal, Madalena caminha adiante
porque suas noites são de ausências...
E Madalena, vestida do perdão de si,
escreve suas histórias apenas de corpo...
Com o corpo se faz versos,
apaga-se rimas, mede-se ritmos.
Mas o amor é o que ela levou
para além de uma efemeridade.
(Rosidelma FRAGA).
Entre mimos
molhados
e babados,
tu vens, retinto
adoçar rimas.
Em noites afros
tu vens tocar-me
feito menina.
Entre rimas
e mimos
saio para afagar
o teu corpo-poema.
Vestida de algemas
solto tuas correntes
para sermos cativos
um no outro e do outro
em gritos sem dor.
(Rosidelma Fraga).
Meu Orfeu tece em mim
os sabores da
eternidade.
Meu Orfeu veste em mim
o tecido de seu corpo
suado
e em meu corpo faz
morada.
Meu Orfeu é o retrato
do corpo que samba,
da canção que sangra,
de Lilith que dança,
de Madalena que ama
e do gozo em chamas.
Meu Orfeu vibra todo
afro
e nosso gozo se faz
cascatas.
Meu Orfeu degusta em
mim
o gozo de amantes
metáforas
e geme de amor e vozes
caladas.
Um poema não se pede
Um poema não se espera.
Como arte do além,
o poema é uma nascente,
brota e jorra versos!
Um poema ergue-se sem razão
Como as cem razões de afeto.
Porque um poema é doação...
É poesia de rima e sertão .
Um poema faz da sina a poesia
Para abraçar o tempo infinito
E louvar-te meu amigo, pelo teu dia!
(Para meu amigo Sérgio Lopes
Por Rosidelma Fraga).
Venha ver meu sol
em dia de branco
em noites de encanto.
Tocarei teu cheiro
E desnudarei teu pranto.
Faça-me tranças
em castelos de êxtase.
Dançarei em teu corpo
como se fosse amor
como se fosse flor.
Segure meu corpo
como se fossem cordas
em tom suave de sol.
Guardarei tuas cores
como se amanhã fosse hoje
em som de eternidade.
Por Rosidelma Fraga.
Tem cheiro de preto
meu verso de Amor.
Tem toque tição
meu poema-segredo.
Tem riso de preta
minha rima de festa.
Tem boca sedenta
minha alma ausente.
Tem pele dourada
meu livro rasgado.
Tem gosto de amora
teu corpo de agora.
E de teus beijos afros e molhados
Cubro-me da poesia enamorada.
(Rosidelma Fraga, 2022).
Negra, eu ouvi teu gemido.
Teu gemido em mim é poesia.
Eu ouvi as chamas de teu pranto
e meu verso do porão virou grito.
Por isso invoquei a águia do oceano
para adormecer a fúria dos homens.
Em rimas venho dizer-te, negra:
enegreça a fúria do homem branco
com o cintilante de tua negra cor.
Seja como for, seja FLOR
Floresça, negra!
Não se curve, nunca!
Banhe os olhos turvos
do excludente e indiferente.
Não pare, negra!
Siga adiante!
Marche!
Não recue! Enalteça-te!
E digo mais,
preta cor de amora,
sorria pelo rio afora!
Diga que não és mito
Diga
Repita
Reprise
E grite: AVANTE!
Avante com seu canto
pois maior que a dor será teu riso
o riso da mulher negra
é o véu do infinito.
No sangue de
minha avó
corre minha
história.
Por isso me
dispo
Por isso
grito
Por isso
vibro
Por isso
poetizo.
Avó preta
de pés
ligeiros,
sacudiu a
poeira
bateu barro
socou pilão
e fez meu
chão.
Vem, negra
flor,
bate esse
tambor!
Vem, amora
pretinha,
a noite já
vai caindo
e tu estás
aí, linda
sorrindo
feito Rainha!
Rodopia,
negra!
Cante,
encante,
e sambe a
vida, Eurídice,
que áfrica resiste,
a áfrica
somos nós,
noite e dia.
Cura-me com a ansiedade de teus afagos!
Curo-te com o desmedido beijo de minha calma.
Cura-me ao som de Jesus, alegria dos homens!
E depois de ser várias pétalas nuas em sonhos,
seremos um só corpo, um só poema liberto...
Afinal, o que eu vi em ti?
Vi a minha sede saciada no copo sem fundo
Vi que nas noites insones me tocavas sem rumo
Vi que teu corpo, teu sangue e teu ar são meus
E teus serão todos meus dias na fonte de amar.
Porque o que eu vi em ti é mais que:
os afagos, mais que a sede de beijo,
mais que a volúpia, mais que tudo,
mais que a certeza diante da minha cura.
Rosidelma Fraga.
(P.S.1-Poema pela metade).
Desdobro o lenço vermelho de metáforas.
Nele, vejo-te em sonhos de Eros e Psiquê...
Porém, a poesia fechou o véu do silêncio
porque já não sou Vênus e nem Afrodite,
nem Beatriz, nem a deusa de Petrarca!
Mas tu, meu Amor, és redenção de versos!
Tu és o paraíso invisível e nostálgico
és o cântico e o mito de Pasárgada
de onde a deusa Afrodite em mim
vem enfeitar e enfeitiçar os cabelos,
para despir os desejos e saciar o poema!
És muito mais que Eros!
És a chave dos mistérios
para acender os incensos
e derramar o amor supérfluo!
Pois o Amor de Eros já não pode ser incerto.
(Rosidelma Fraga-01/03/2021).
Poema escrito em ocasião de uma aula sobre Amor e erotismo/ dupla chama, lendo Octavio Paz.
Jamais escreverei versos naufragados
de um lirismo mecânico e vestido de solidão.
O poema que ora teço vai despindo alinhavos
e nas costuras das cicatrizes o Amor é nudez.
Minha nudez desabrocha como muitas rosas...
Meu amado caminha entre espinhos há horas!
E no cais de horas que parecem intermináveis,
alinhavo palavras doces de metáforas,
banho a pele de Madalena com unguentos,
e o poema vai abrindo as delicadas pernas.
Ora, não demores, meu amado!
Meu corpo e minha alma de poeta,
já te esperavam de outras noites.
E não te esqueças sequer por um segundo
que em mim tu esquecerás a solidão de mundo.
Em mim tu terás o abrigo do Amor sem medida,
terás todas as mulheres nuas em forma de FLOR.