Este blog é uma continuidade do blog Poiesis Rosidelma Fraga rosidelmapoeta.blogspot.com (2014). Algumas publicações serão postadas nesta página. Os livros Poiesis em verso e prosa e Cantares de amor podem ser encontrados no site da livraria cultura e Amazon. A obra AmorAmante e O mundo fantástico da menina Angelmam podem ser adquiridos com a autora. AFRICANUA pode ser baixado em https://www.pimentacultural.com/wp-content/uploads/2024/12/eBook_africanua-poemas.pdf
sexta-feira, 17 de julho de 2020
CORPO & VOZ
Teus olhos molhados gemem
pela voz ofegante do poema.
A menina de teus olhos suplica
de joelhos por um corpo de palavras.
Eis que minhas mãos ofegantes
e semelhantes ao desejo de maresia
teceram a colcha para tua nudez.
“O céu rasgou seu manto em duas partes”.
Despimos o cheiro da metáfora do amor
Que ainda é fogo que arde sem se vê.
A poesia perdeu a voz em teu grito
E o poema abriu o botão de meu vestido.
Nenhuma palavra quis sair da alcova
No instante que teu olhar deixou cair
O roupão desnudo de tuas súplicas.
Naquele instante ímpar e metafísico
a poesia que já andava nua comigo
abriu a peça incomensurável de teu corpo.
(Rosidelma Fraga, 2014).
segunda-feira, 4 de maio de 2020
CANÇÃO DE AMAR
A maior razão do amor
é inexistir a razão de amar...
Amar a falta do ato infinito no
efêmero e na incompletude...
Amar a busca do silêncio
na resoluta lacuna da ausência.
É assim que ouço-te sem alarde!
É assim, sem explicações e
reticências que o amor vem!
Tal como a poesia de asas abertas,
meu verso respira sôfrego e pelo desconhecido...
É assim, anjo negro, que meu
poema convida-te às algemas...
Venha ver o pôr-do-sol
de nossas luas gêmeas,
até que o canto desabroche
e faça-nos a luz da criação.
ROSIDELMA FRAGA
domingo, 22 de março de 2020
AMOR REGADO
Se acaso o tempo cortar
as rosas
e meu poema não mais molhar
a ausência de teus
olhos,
ainda assim cantar-te-ei
o amor.
Se acaso não regares o
jardim
ainda adubarei o chão
da tua presença que
ficou
e dela brotarei o amor guardado...
porque o amor se guarda
nas horas perdidas
no relógio parado
no minuto eterno
do tempo que voa.
Se acaso, o amor regado
derramar teu sangue em
meu corpo
brotarei flores sepulcrais...
E velarei tua morte
depois do amor...
Porque o amor que se
guarda
renasce da eternidade
do silêncio.
(Rosidelma Fraga).
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020
TAMBOR
Na boca do
Barlavento
meu poema
geme sedento.
No tAMbOR
de teu silêncio
tua ilha rasga
o rosto da terra.
Africando em mim
tuas negras algemas
vestem-me de insensos...
Porque na ilha do amor
o teu Deus, que é cupido meu e teu, sairá do mar...
E meu verso livre
todo negro,
todo cabo-verdiano,
beberá o teu corpo.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
VOZES E SILÊNCIO
Ilhado da poesia do corpo
entoastes meus versos...
Versos naufragados
de silêncio e arte
que deságuam
na gratidão que me toma.
Tua voz negra parece beijar
a ardência da alma enciumada
deste país de amor e encantos.
Cabo Verde, de onde
ouço os sinos de Corsino
nas fontes de meu silêncio,
de tua ausência, de teus ventos.
De olhos vendados de poesia,
meu sangue bebe a sonata
que vem de tua alma amada.
Amados serão todos os poetas
negros que colorem nosso
sangue.
Amores serão todos os amantes,
por mares africanos navegados,
por ilhas sonhadas, por vozes
caladas...
E na maresia de meus sonhos
rabiscados
Eu, poeta do amor, codinome de flor,
gracejo em desenhar a arte de
tua cor,
cor de amora, aroma dourada, cor
do amor,
na canção de tua voz tatuada em
mim.
(Rosidelma Fraga - escrito hoje, em agradecimento
à leitura linda de minha poesia).
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020
POEMA LIVRE
Escrevo versos livres
como Walt Whitman...
Pinto rimas de liberdade
como quem beija o vento...
Espero a canção de amar
como verbo intransitivo,
incompleto,
complexo,
convexo,
côncavo de eternidade.
E que o amor possa
caminhar liberto
como aquele cão de rua
a esperar o cheiro
de uma fêmea ladrando
vidas...
Porque poesia é a voz
de fazer nascimentos.
(Rosidelma Fraga).
terça-feira, 21 de janeiro de 2020
Galáxia do corpo
Em teu leito desnudarei
de saudades verdes
e beberei tua pele
e teu cheiro como néctar.
Guardarei teu silêncio
arranharei o barro negro
que vestiu teus gemidos
e abraçar-te-ei com furor
e dar-lhe-ei flores, amor...
E noutro porto das galáxias
meu sangue cobrirá teu corpo,
rasgar-me-ei em teus pedaços
e nossas almas terão sentido.
SONETO SEM FIM
Meu guia que sente os aromas da alma
E sabe a fragrância dos orixás celestes...
Teu corpo me despe e teu ser me deságua...
Tem cheiro de negro o teu Amor agreste.
Vestir-me em tua pele, tocar o teu cheiro
É chamado de atabaque de tuas mãos sedentas
Inspirar os teus versos, dormir no teu peito,
Convida-me a poesia. Excita-me a ausência .
As rosas nuas que tocam o teu beijo em mim
As chamas espalham o Amor noite e dia,
As fontes de memória que conhecemos.
São histórias que perduram no Amor que temos...
De estar um no outro como poema infinito,
Do orgasmo sem fim em suspiro de poesia.
E sabe a fragrância dos orixás celestes...
Teu corpo me despe e teu ser me deságua...
Tem cheiro de negro o teu Amor agreste.
Vestir-me em tua pele, tocar o teu cheiro
É chamado de atabaque de tuas mãos sedentas
Inspirar os teus versos, dormir no teu peito,
Convida-me a poesia. Excita-me a ausência .
As rosas nuas que tocam o teu beijo em mim
As chamas espalham o Amor noite e dia,
As fontes de memória que conhecemos.
São histórias que perduram no Amor que temos...
De estar um no outro como poema infinito,
Do orgasmo sem fim em suspiro de poesia.
DE AMAR
Não sou poeta
que dá de amar
por equações.
Meu poema
é sem razões
de amar.
Dá-me assim
de amar mais
que amiúde.
Far-te-ei anjo
encarnado
de poesia.
Dá-me de amar
como amante
infinito, terno,
e indelével.
E amar-te-ei
além de Inês
após a morte.
que dá de amar
por equações.
Meu poema
é sem razões
de amar.
Dá-me assim
de amar mais
que amiúde.
Far-te-ei anjo
encarnado
de poesia.
Dá-me de amar
como amante
infinito, terno,
e indelével.
E amar-te-ei
além de Inês
após a morte.
EU POR MIM MESMA
Achou que eu era rio?
Sou mar nunca dantes navegado.
Se me deres um remo navego poemas e oceanos.
Não bebo versos de lágrimas.
Faço delas a rima de poesia inventada.
(Rosidelma Fraga).
Sou mar nunca dantes navegado.
Se me deres um remo navego poemas e oceanos.
Não bebo versos de lágrimas.
Faço delas a rima de poesia inventada.
(Rosidelma Fraga).
POEMA NU
Rabisco agora um poema que vem nu.
Teço o verso que veste minha nudez de saudade...
Reescrevo a cena morena de teu beijo...
E a poesia sinestésica abre a pele de teu cheiro.
segunda-feira, 10 de junho de 2019
DESEJOS
Apareço de costas em meu verso
como quem tira o roupão atrás da porta.
Excito a voz rouca do poema
fecho o botão da camisa
e saio desnuda frente ao espelho.
Rasgo o véu da palavra incerteza
E certamente banho na fonte
das metáforas de ser e de amar.
Toda nua, toda rouca, toda cheirosa
a poesia sai de mim pé por pé
e se entrega na cama do desejo lírico.
Depois de ser amassada e sugada
a poesia sai de madrugada
e lê um convite caído ao chão:
VAI TER UM BAILE NO CÉU
ONDE DEUS TODO NU VIRARÁ CANÇÃO
A poesia entrará de pernas abertas
pela porta da frente e com seios fartos.
Eis que os anjos calar-se-ão.
E eu chego descalça
Viro Afrodite com saia de Eros
E sambarei por toda a minha vida.
(Rosidelma Fraga, da obra "Cantares de Amor", 2014).
terça-feira, 29 de janeiro de 2019
POEMOLHADO
Tentei segurar o ritmo das horas
que o tempo excitado não perdoa
para compor um verso cor de amora.
Não sei se era imaginação de poeta,
ou encarnação de caboclo roxo no rio.
Vi a poesia se despindo de teus olhos
E quis rasgar a pele de preto no cio.
Guardei o instante da eternidade...
porque eterna é a celebração
de teu sangue desvelado,
de teu beijo poemolhado,
de minhas mãos tímidas,
apáticas, inexatas,
surdas e suadas.
Já não pude esconder a poesia
embaixo do tapete do carro
e tirar a calcinha das rimas
no quarto das bacantes de um motel.
Trouxe da rua a covardia de ser poeta.
Escondi o ciúme de rasgar a tua cor
e ser a menina nua que te dança e namora.
O amor já não pode seguir o relógio
porque o tempo é efêmero e traiçoeiro.
Tenho em mim o triunfo de filtrar
sonhos...
Guardarei o instante e serei Penélope nua
a costurar a colcha de cetim vermelho
a segurar um minuto parado da poesia.
Certamente desnudarei o efêmero da rua
morta,
a velocidade dos carros, o riso do
caboclo,
o receio da mulher em chamas, tua boca
de amora,
e dois negros cabelos virando poema
que voa.
Em instante metafísico meu sangue
quisera ser Afrodite e Jacira
para misturar tua pele de índio
ao meu destino de cigana vagabunda.
No entanto, pressinto que a poesia
casta
ainda que em hora marcada e estática
deixará cair o manto vermelho
do amor dos deuses a molhar teu sêmen.
Teu sangue guerreiro ainda fechará o
tempo
e meu poema regressará ao lirismo de
teu corpo.
Conhecerás que o amor singular e
cravado
permanece além dos sexos e da nudez
dos índios,
é muito mais que o teu corpo sagrado em
mim.
(Rosidelma Fraga).
Assinar:
Postagens (Atom)



